Quem e de lida e campo
Sabe que às vezes a volta se enfeia
Pua, mango e maneia
E o que me toca
Pra acomodar um beiçudo
Que por devalde agarra nojo do mundo
Mas matungo de freio
Nas garra de um campeiro
Não se aporrea mos arreio
Bota na forma o sem costeio
E me deixa embuçalado
O picaço que amanheceu
Mal acomodado e desordeiro
Ia, há, há já bateu a cachorrada
Já pra trás prendi o grito o capataz
E o picaço dando coice nas macegas
Traz o sangue maleva nas veias
Da mãe aporreada ventre do qual foi parido
A pouco chegou na estância
ja por outros tantos bolido
Hoje e teu dia não gosto de judiaria
Mais vai te cortar nas minhas pua
Pois venho mal costeado
E rodeado de pragas de chiruas
Joguei os caco no lombo do maula
Pulei pra riba e prendi o grito só por desaforo
Bombiei pro varzedo e aticei os cachorro
Quando levei os ferro
Mal livrou a cancela já escondeu o toso
E foi coiceando nas barrigueira
Querendo me sacar pelas esporas
Mas se enredou na soitera
E assim no más se fomo
No mesmo choro a campo fora
Seguimo costeando o varzedo
O maula querendo botar meu caquedo fora
foi quando numa bolcada
me falta um pe do estrivo
e uma redea que se atora na presilha
mas nao e atoa que nesse mundo eu vivo
botei o mango nas oreia
fiemei os garfo e acabei com anarquia
e neste pampa o solo sagrado
Quando um ventena se atora
Se engancha nas esporas
De um campeiro domador
E volta pras casa num tranco de pisa-flor
Marcado dos arreio
Pedindo benção pro relho
E seguindo o enleio deste domador.
Rodrigo Santana Rio Pardo janeiro 2010