segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O rio dos olhos

O espelho do rio dos olhos
Matou a sede da alma incessante
Nas cheias leva tudo por diante
Tudo sem ter, por nada a mudar
Onde a água busca o que precisar
Vai ao encontro das sangas
Como se vivendo de changa
Pra no mar enfim desaguar

E o mundo veio tordilho
Que segue sempre rodando
Vi meus olhos aos poucos chorando
Tentando quem sabe entender
Talvez esperando o tempo renascer
No silente de um olhar campeador
Neste mundo que geme de dor
E que não acha sua razão de ser

De quantas verdades não ditas
De quem sabe e espera outro tanto
E se vê aos olhos do campo
Desde cedo aprende a remoçar
Se tem cavalo d tiro pra andejar
E fácil ir embora assim no mas
Difícil e não olhar pra trás
E ver ausência em seu lugar

E sorrisos que regam lagrimas
Por não saberem os caminhos de si
Andejam sem saber pra onde ir
Nem aonde chegar e a mesma dor
Levada pela corrente a colorada flor
E um misto de sal e doce o gosto
Encharcando as sangas do rosto
Mirando o fim do corredor

Ao florir das laranjeiras

Primavera se achegando
O tempo vem se amansando
Finzito de agosto inda frio
Na calma madrugueira
Florindo as laranjeiras
No canto que se ouviu

Tempo de esperas a rondar
Pra o inverno de novo chegar
Como se assim ainda fosse
O fruto maduro na madrugada
Se banhar no branco da geada
Pra trazer o seu gosto doce

A noite também fica faceira
No sorriso da lua romanceira
De ver as flores perfumadas
Ao andante na beira da cerca
Talvez à hora quem sabe inte perca
Mas o cheiro da flor leva na estrada

Quem sabe dias mais amenos
Da florzita se banhar no sereno
E o tempo na sua quietude florir
As vezes carregada pelo vento se finda
E sua ausência já adormecida
Espera outra vida pra de novo sorrir

Guarda o gosto da querência
Aos olhos calmos da sua essência
E o choro do vento que partiu
E alguma pétala que cai no chapéu
O resto já ressona e ganha o céu
No espelho corrente que se faz o rio

O silêncio das casas velhas

Existe um silencio inquieto
Nas casas tomadas de um vazio
Ainda assim são moradas
Pra que mirou da estrada
Enxergou ao longe mas nada viu

Ainda guardam nas paredes
Sonhos e tantas historias
Velhos retratos já amarelados
Que continuam guardados
No quarto escuro da memória

Se faz vida nas floreiras das janelas
Dessas que beijam as primaveras
Na sombra grande do arvoredo
Onde também guarda segredos
Rezando pra não virar tapera

Lagrimas vertem de suas frias vidraças
Campeando o sol pra iluminar
Ou de quem passa espia pra dentro
Querendo talvez ouvir o lamento
Onde o silencio e a dor vem conversar

Das telhas de barro encanoadas
A vida nova a brincar no teu jardim
Quem sabe nesse teu tom triste
Buscando algo que ainda existe
Pra tua historia jamais ter fim

Nas trancas e rangidos dos portões
Guardam o ultimo do que se ouviu
Quem passava ao longe na sua calma
Mas em cada canto abriga as almas
De quem se fez eterno e partiu