sábado, 16 de outubro de 2010

Quando a chuva chora

La na várzea um potro relincha
Quando o céu se fez lobuno
Da seiva pura que escorre
se derrama na quincha
Lava o campo e a alma
Que vai amansando a vida
Na brisa mansa que acalma

A garça envolta no seu pala branco
Segue solita na espera que a cerca
Sobre a imensidão do santo campo
Que se alegra quando a chuva
em lagrimas encharca a terra

Quando topei com rodeio parado
No fundo de campo na lentidão das horas
Fui domando meus anseios na lida
pra buscar guarida a chuva chora
e uma saudade por certo esquecida

assim que moldei minha estampa
A pata de cavalo minha pampa
Um pedaço de céu por regalo
Recuerdos de guri correndo pelo banhado
Gritando com o gado num reponte de rodeio
Trazendo a sorte mal costeada
E a vida nas pernas do freio

A flor se abriu a chuva partiu
Deixando bem mais
que terra encharcada
Renovou as aguadas
E a esperança do pampa
Trouxe junto um sorriso
De um amanhecer bonito
e o ceu moldando sua estampa

Aos olhos claros do sol
Apagou o rastro do tempo
e espantou suas ânsias
ao tranquito arrebol
no lombo do vento
foi encurtando as distancias

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