sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Olhos posteiros

Brilha os olhos morenos
Que trouxe pra beber sereno
No sabor das madrugadas
E ver a Dalva inda acendida
Pra o impeçar firme da lida
No posto onde foi batizada

Mirava o piazito a brincar na areia
Frente à sanga bombachita arremangada
Pés descalços e um sonho que golpeia
Junto à alma macia de lagrimas encharcada

Do sol que se banha no açude
que o tempo siga e não mude
nas pedras do mangueirão
Pra os jujos da carqueja
Que sempre assim seja
Na paz que habita o rincão

que ao longe se vai um andante ao despacito
na sina as vezes ingrata de ser livre a andejar
Não fosse o cusco muy amigo era mais um solito
Sem colher não tem flor nem um rancho pra voltar

E o tempo sempre vai seguir
Na simplicidade que existe aqui
Bem mais que olhos podem ver
Quando vai mermando o agosto
Primavera que campeia o posto
Donde vem pra renascer

e vida que se renova na sanga que se aviva
no corredor que leva pra casa grande rumo ao povo
depois que sair do posto e cruzar pela estiva
aperta a saudade mas ele sabe que volto de novo