segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Entre palanque e ginete

Um aporreado se senta
Um ginete oração e tento
Do maula que bufa as venta
E nas botas as esporas que sustento

Nas mãos do palanquero
Tapeando a tala do pescoço
Que vai se ajeitando o matreiro
E o ginete faz um floreio por gosto

A campana sonando contra el viento
De um palanque basto e bocal
Gurupa ou puro pelo redeão e tento                                                                                    
E uma trança buena de um forte buçal

Palanque sustenta o reservado
Que troca orelha e se senta
Pras os dois lados manoteado
E a fé que a vida sustenta

O ginete atira o corpo pra trás
Mango e as nazarenas na paleta
Que a vida se pega no mas
E nas cicatrizes das rosetas 


A estopa velha já puída
esconde os olhos do mundo
pra quem trás ânsias escondida
tremendo o solo verde fecundo


El palanquero sustenta o cabresto 
num grito de pode solta
pra quem munta sem pretexto
encontra a vida onde ela esta


domingo, 7 de novembro de 2010

alem dos sonhos

Minha voz ecoa no vento
Pra muitos só resta o meu silencio
Que nunca a minha face estampara um sentimento
Que eu não traga na alma e no coração
Sou como tantos outros feito de lagrimas e sorrisos
Mas na mirada que os olhos diziam coisas tristes
Vi que a tristeza existe e pra quem acha que não erra
Da chuva uma só gota e a flor morreu sem a terra

De um céu infindando matizes nas suas cores
Na pampa dos meus amores                               
E a poeira da estrada, senhora dos meus caminhos
Onde se tornou pétalas lindas flores
Ficando só o talo e espinhos
Essência pura do campo e cheiro da flor de pitanga
O sol queimando em brasas
Banha um sonho em águas rasas na seiva pura da sanga

Onde um abraço dizia tudo
Fechava os olhos pra o mundo
Saber de tudo eu não sei talvez nem queria  
preciso do silencio de um sorriso no meu dia a dia
de um beijo e os mates nos fins de tardes
pra ser o que fui vou ser e o que eu era
findando o agosto e o triste da invernia
Pra setembro renascer primavera

Que alem dos sonhos existe um lugar
E mesmo olhos distantes não conseguem chegar
Me perdi por buscar a verdade
Cruzados campo e corredor a buscar felicidade
Perdidas foram uma sem saber da outra
No toque sereno do vento
Em sonhos amansando potras
Se perdendo en las noches e no tempo

sábado, 6 de novembro de 2010

Lanças, anjos e almas

De tantas peleias, tu resiste na memória
Tua bravura nosso regalo
De tantos heróis nossa historia
De centauros a cavalo

Foste negro, charrua, castelhano
Bugre ou estancieiro
Trazia sina de haragano
Num semblante de guerreiro

Com a vida defendeu sua querência
Lutou pela tua terra, teus ideais  
Pra preservar sua e essencia
E matar a sede em puros mananciais

Lança, Adaga e garrucha
Trançou ferro pensando no futuro
E pra fazer a pátria gaúcha
peleou ate no escuro

Não temias a morte
Se ferido estava e ainda sangrando
Não acreditava na sorte
Continuava peleando

E por certo a guerra acabou
Do ponche verde uma bandeira de paz
Adagas e lanças ao chão
E um legado que ficou

Dos teus trapos ataduras
O sangue misturado a terra
Das trincheiras sepulturas
E o triste fim da guerra

na cruz atada lenço maragato
dadas as bênçãos do campo
Restos mortais de um farrapo
Que maneou seus encantos

Lanças anjos e almas nobres
Que brotaram das cinzas
E das cinzas ao vento e pó
E agora o campo encobre