sábado, 16 de outubro de 2010

Tempo, tropa e estrada

Quando reponta a barra do dia
A tropa ganha a estrada
Se a palavra silencia
E os olhos não buscam outro olhar
Levo a vida do jeito que ela encilha
Pois que anda jamais pode parar

Toco por diante o baio
Empurrando nos encontro a gadaria
Que o tempo ganhou olhos de maio
Percorrendo a sesmarias
Quatro dias de marcha, três ronda e a tropa se finda
Junto aos peçuelos trago léguas de saudade
E sorrisos ainda
Razões de ser e simplicidade
De tempo e estrada
Tocando por diante a gadaria
Reculutando sonhos
No lombo da potrada

Vou na culatra assoviando
Coplas ao vento de contraponto ao tempo
Que passa devagar
Ate o gado xucro virou sinuelo
Tudo pampa, mesma marca mesmo pelo
E dia certo pra entregar

Botei um vistaço no varzedo
Pra manear seus segredos
de campo e saudade
Que descobri nas minhas verdades
perfume e carinhos de la flor
que vinha campeando no caminho
Por a muito andar sozinho meus sonhos e amor

A dalva mostrava o caminho
rumo a charqueada
Na humildade e jeito de ser
Moldaram a noite enluarada
Que me fez tempo, tropa e estrada
Em mais uma ronda pra depois amanhecer 


O tropa ia mermando quase chegando ao lugar
cada légua que se vai mas se entende porque a volta
se a voz da alma se solta e um rancho pra quem voltar
O tempo enxuga as lágrimas
Da tropa vida e o sustento
A estrada e o fundamento 
Pra quem aprendeu a não chorar









Nenhum comentário:

Postar um comentário