sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Olhos posteiros

Brilha os olhos morenos
Que trouxe pra beber sereno
No sabor das madrugadas
E ver a Dalva inda acendida
Pra o impeçar firme da lida
No posto onde foi batizada

Mirava o piazito a brincar na areia
Frente à sanga bombachita arremangada
Pés descalços e um sonho que golpeia
Junto à alma macia de lagrimas encharcada

Do sol que se banha no açude
que o tempo siga e não mude
nas pedras do mangueirão
Pra os jujos da carqueja
Que sempre assim seja
Na paz que habita o rincão

que ao longe se vai um andante ao despacito
na sina as vezes ingrata de ser livre a andejar
Não fosse o cusco muy amigo era mais um solito
Sem colher não tem flor nem um rancho pra voltar

E o tempo sempre vai seguir
Na simplicidade que existe aqui
Bem mais que olhos podem ver
Quando vai mermando o agosto
Primavera que campeia o posto
Donde vem pra renascer

e vida que se renova na sanga que se aviva
no corredor que leva pra casa grande rumo ao povo
depois que sair do posto e cruzar pela estiva
aperta a saudade mas ele sabe que volto de novo

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O rio dos olhos

O espelho do rio dos olhos
Matou a sede da alma incessante
Nas cheias leva tudo por diante
Tudo sem ter, por nada a mudar
Onde a água busca o que precisar
Vai ao encontro das sangas
Como se vivendo de changa
Pra no mar enfim desaguar

E o mundo veio tordilho
Que segue sempre rodando
Vi meus olhos aos poucos chorando
Tentando quem sabe entender
Talvez esperando o tempo renascer
No silente de um olhar campeador
Neste mundo que geme de dor
E que não acha sua razão de ser

De quantas verdades não ditas
De quem sabe e espera outro tanto
E se vê aos olhos do campo
Desde cedo aprende a remoçar
Se tem cavalo d tiro pra andejar
E fácil ir embora assim no mas
Difícil e não olhar pra trás
E ver ausência em seu lugar

E sorrisos que regam lagrimas
Por não saberem os caminhos de si
Andejam sem saber pra onde ir
Nem aonde chegar e a mesma dor
Levada pela corrente a colorada flor
E um misto de sal e doce o gosto
Encharcando as sangas do rosto
Mirando o fim do corredor

Ao florir das laranjeiras

Primavera se achegando
O tempo vem se amansando
Finzito de agosto inda frio
Na calma madrugueira
Florindo as laranjeiras
No canto que se ouviu

Tempo de esperas a rondar
Pra o inverno de novo chegar
Como se assim ainda fosse
O fruto maduro na madrugada
Se banhar no branco da geada
Pra trazer o seu gosto doce

A noite também fica faceira
No sorriso da lua romanceira
De ver as flores perfumadas
Ao andante na beira da cerca
Talvez à hora quem sabe inte perca
Mas o cheiro da flor leva na estrada

Quem sabe dias mais amenos
Da florzita se banhar no sereno
E o tempo na sua quietude florir
As vezes carregada pelo vento se finda
E sua ausência já adormecida
Espera outra vida pra de novo sorrir

Guarda o gosto da querência
Aos olhos calmos da sua essência
E o choro do vento que partiu
E alguma pétala que cai no chapéu
O resto já ressona e ganha o céu
No espelho corrente que se faz o rio

O silêncio das casas velhas

Existe um silencio inquieto
Nas casas tomadas de um vazio
Ainda assim são moradas
Pra que mirou da estrada
Enxergou ao longe mas nada viu

Ainda guardam nas paredes
Sonhos e tantas historias
Velhos retratos já amarelados
Que continuam guardados
No quarto escuro da memória

Se faz vida nas floreiras das janelas
Dessas que beijam as primaveras
Na sombra grande do arvoredo
Onde também guarda segredos
Rezando pra não virar tapera

Lagrimas vertem de suas frias vidraças
Campeando o sol pra iluminar
Ou de quem passa espia pra dentro
Querendo talvez ouvir o lamento
Onde o silencio e a dor vem conversar

Das telhas de barro encanoadas
A vida nova a brincar no teu jardim
Quem sabe nesse teu tom triste
Buscando algo que ainda existe
Pra tua historia jamais ter fim

Nas trancas e rangidos dos portões
Guardam o ultimo do que se ouviu
Quem passava ao longe na sua calma
Mas em cada canto abriga as almas
De quem se fez eterno e partiu

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

domero

Um chiripa já puido
ostenta o arame do varal
tentos gastos e benzidos
de um mango, das redeas e do bocal


De um palanque palanqueando ausências 
golpes, sentadas de redomões
maneais e buçal nessa rude vivência 
de pingos pra lida e pra montarias de patrões


Nas botas de garrão de potro
aclimatado um resto de invernia
de sua essencia foram feitos outros
na mesma sede que a alma sentia


Ficaram potros na espera
de um novo setembro chegar
amansando junto as primaveras
e redomões ja prontos pra entregar


agradeceu ao sol em cada aurora
ao longo dos corredores
infindando silencio no choro das esporas
se a estrada e partida pra quem vai embora
E o caminho de pedras e flores

a vida ensaiava novos passos
mas sua historia há de ficar
partiu pra o infinito sem deixar rastro
levou cheiro de pasto 
e as mãos calejadas das rédeas de domar

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Escritas de um novo tempo

Luzeiros de olhares a mirar o horizonte largo
Uma ausência de sonhos que eu não vi
Deixaram rastros de meu tempo no passado
E uma velha saudade do que ainda não senti

Me vi frente ao tão nobre senhor da vida
Quando as folhas do outono ainda caiam ao vento
Mestre de uma nova historia ainda repetida
Escrevendo novas linhas no livro grande do tempo

Da chuva que em lagrimas adoça minha crença
Eu vou plantar minhas flores meu rude jardim
Primavera a florescer ao sol toda querencia
De um jeito muito antigo que inda guardo pra mim

O tempo desbotou o retrato da velha parede
E os recuerdos se fizeram num tom risonho
Pois se finda a distancia e a alma tem sede
Mesmo assim não se rende ao rosto tristonho

E guardar no baú da memória o mesmo passado
Pois se anda pra frente e sabe pra onde voltar
Olhar pra trás e ver-se a si, ver tudo mudado
Ver o que deixei e o que brotou no meu lugar

E se uma saudade ainda habita meu ser
E que muita coisa por certo vai ficar
Do meu passado valeu a pena todo meu viver
e todo dia renascer no silente do mesmo olhar 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Existência

Romanceiro de um só sonho
E o tempo intenso e sentido
Do semblante guri risonho
da sede verdejante dos olhos
De um olhar ainda esquecido

E ao humilde solo bendito
As ânsias de muitas esperas
Que os luzeiros do infinito
A noite bordam um céu bonito
Pra não viver só de quimeras

E quando se fala em partida
Por certo esperando num lugar chegar
A morte e uma amarga despedida
O fim e partir pra uma nova vida
Ao longe, querência em outro lugar

Frente a crença que se desdobra
E as muitas razões do nosso andejar
Tem caminhos e horizontes de sobra
Que a vida por certo um dia nos cobra
E a de ter muitas verdades pra pagar

E tudo aquilo que nos traz ate aqui
Saberá pra onde sempre nos levar
Assim se explica esse existir
Porque o certo de ter pra onde ir
E um lugar pra enfim chegar

Que o mundo se faz de viver
A alma a de voltar pra o seio da terra
A carne e o escudo da alma a ser
Uma passagem de tempo a renascer
ao findar o lume dos olhos é vida que encerra

segunda-feira, 16 de maio de 2011

No sem fim das estradas

Nas paginas surradas de um velho caderno
escritas, pergaminhos do diario de um andante
e o tempo por ser tempo consumindo o cerno
de quem sabe que o infinito e muy distante

Quem sabe encontre no olhar dos meus caminhos
tudo aquilo que a vida guarda e ainda gosta
se no ceu o sol vive tão sozinho
a lua tem as estrelas e a noite ela se mostra

Eu que eu vivo a cruzar com a saudade
da poesia que brota da luz dos olhos teus
quem sabe consiga me encontrar nas verdades
na mansidão que rondam os sonhos meus

Eu que vivo a buscar pelas estradas
tudo aquilo que da vida se perdeu
deixando rastros e atalhos nas canhadas
e vejo que o tempo não me esqueceu

pra o andejo basta o campo por morada
um pouco de mim deixo em cada lugar
bordando a terra de noites enluaradas
ver a flor na madrugada no sereno se banhar

Eu vi o sorriso tão lindo da moça na janela
colhi geadas dos invernos aquerenciadas ao bichara
e a tristeza contida nas trancas da cancela
nas primaveras novo pasto e tantas flores a brotar

De um sol veraneiro e alma de andante
mirar o ceu noiteiro os rios e as invernadas
pedras, flores e as chuvas andejantes
e o impeçar distante do sem fim dessas estradas

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Marcas do tempo

Vai as mãos macias do tempo acariciando a vida, brincando com as horas.
E as velhas paredes ainda estampam sonhos de quem já partiu
Coplas sonidos do vento nessas casas velhas onde a saudade mora
deixando apenas um retrato emoldurando um quarto escuro e vazio

Chegadas, partidas tantas despidas nos corredores.
Nas mãos marcas das flores, espinhos que ficaram salientes
Pois quem na vida plantou sonhos por certo colheu amores
Deixou frutos na terra que assim erdam seus descendentes

E o potrilho lindo mouro, que nasceu na primavera.
Por sina na mão do domador vai ter que se amansar
Tantas luas passadas invernos e uma longa espera
Pra o domero na mesma sina de quem nasceu pra domar

Querência sonho, saudade num mangueirão de pedra moura.
Perdido no tempo ficou um resto de tropa, um surrado chiripa.
Da velha tosquia feita a martelo na mãos da tesoura
E só não teve amor àquele que na vida não soube amar

Porque eu sei a vida e cheia de manhas e segredos
E ninguém me contou eu fui buscar, eu vi a terra chorar
Na cicatrizes deixadas do tempo descobri seus medos
E uma grande ferida que talvez nunca há de curar

São tantas saudades muitas chegadas e partidas
De tanto buscar guarida ficou um canto ao vento
Infindando poesias escrevendo a historia da vida
na mesma pagina repetida deixando marcas no tempo

segunda-feira, 28 de março de 2011

a busca

Eu busco um olhar refletindo lua mansa
suja as franjas do chiripa do suor do meu cavalo
por ser tempo me fiz, estrada pra rondar as madrugadas
e quem sabe apartar saudades e um dia encontralo


por aramados de estreitos corredores
campeando o rumo de algo que se perdeu
eu bem sei que o caminho tem espinhos pedras e flores
ao longe busquei sonhos e achei bem perto dos meus


Que do fruto doce da alma eu guardo o gosto
por cestas coisas não vale de chorar
por isso sigo meus caminhos com um sorriso no rosto
Que o tempo de quando em vez tem de se amansar


que eu sempre sinta o cheiro da terra
molhada da chuva em manga
na mansidão que ronda as casa
e o berro do gado da tropa da sanga


quero ter sempre o perfume das flores
brotando silentes quando a primavera chegar
o carinho de um sorriso manso
e o infinito dos dizeres de um olhar


E a eguada siga sempre dando cria
e sempre a de ter potros para domar
e uma gana com cheiro, gosto de terra
gracias sei de onde venho e onde quero estar





terça-feira, 22 de março de 2011

Flor de pedra

Manhazita primavera o sol descambava acanhado
Se banhava na poça d água encharcada da chuva
E as lagrimas que escorrem seiva empedrada
Trazia o amargo da vida e o doce sabor da uva

Em pétalas um sorriso com jeito de mato
Que traz o gosto do beijo da flor vermelha
E se foi rio abaixo levada pela correnteza
Perdeu-se das folhas e talos que caíram da corticeira

nas flores brotadas entre as pedras da mangueira
De pétalas leves e macias toda sua essência
A de estancar a sangria e a dor dos olhos da alma
De quem vive a cavalo num resto de tropa pela querência

Numa noite de estrelas no céu que estampa luas andejas
E as saudades de muitos que la foram morar
Tocam o espelho da pampa nas águas do açude
Levaram o jeito rude e um grande vazio no seu lugar

e o vento ensaia poesias no lume das estrelas
é quando o silêncio traz palavras num olhar
assim silentes talvez por agente não velas
a boca vazia num beijo consegue mostrar

E as sangas do rosto que trazem as marcas da vida
encharca o chao das retinas pra depois procurar
fica uma vontade de chorar e o gosto de outro regalo
do braço pra bota pealo e uma sombra pra apeiar
 

 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Do que a vida ensinou

madrugada trazia os ventos
Leve encharcado de sereno
Segundos horas e o tempo
De um mundo tão pequeno
Trazes num novo amanhecer
de chegada e sem partida
De uma tropa encordoada
campeando o cerne da vida
esquecida ja de seus rumos
hoje vive solita velha estrada
polvadeira amansa as horas
e ronda o rumo das aguadas
tanto senhora dos caminhos
que se fez inicio meio e volta
ao andante solito e cantador
tanto o campo cura e já solta
pra findar a sede da saudade
No bravio de mais um potro
segredos que guarda a porteira
pra adormecer no sonhos de outro
Quem sabe ainda se amansa
Num dia desses de primavera
pra ver um tempo novo florir
quem sabe denovo sorrir 
e ver um resto de vida,
na cicatrizes da tapera.
Quando ao longe campeou horizontes
Corredores, aramados e porteiras.
Cada passo que se vai pra frente
Mas se sabe o porquê de voltar
Do que brotou das sementes
O rastro do que se sente
palavras traduzidas num olhar
E a pergunta do livro
grande da verdade
Do que nos traz ate aqui
Revela o segredo que traduz a vida
E a resposta talvez
agente nunca há de descobrir