segunda-feira, 28 de março de 2011

a busca

Eu busco um olhar refletindo lua mansa
suja as franjas do chiripa do suor do meu cavalo
por ser tempo me fiz, estrada pra rondar as madrugadas
e quem sabe apartar saudades e um dia encontralo


por aramados de estreitos corredores
campeando o rumo de algo que se perdeu
eu bem sei que o caminho tem espinhos pedras e flores
ao longe busquei sonhos e achei bem perto dos meus


Que do fruto doce da alma eu guardo o gosto
por cestas coisas não vale de chorar
por isso sigo meus caminhos com um sorriso no rosto
Que o tempo de quando em vez tem de se amansar


que eu sempre sinta o cheiro da terra
molhada da chuva em manga
na mansidão que ronda as casa
e o berro do gado da tropa da sanga


quero ter sempre o perfume das flores
brotando silentes quando a primavera chegar
o carinho de um sorriso manso
e o infinito dos dizeres de um olhar


E a eguada siga sempre dando cria
e sempre a de ter potros para domar
e uma gana com cheiro, gosto de terra
gracias sei de onde venho e onde quero estar





terça-feira, 22 de março de 2011

Flor de pedra

Manhazita primavera o sol descambava acanhado
Se banhava na poça d água encharcada da chuva
E as lagrimas que escorrem seiva empedrada
Trazia o amargo da vida e o doce sabor da uva

Em pétalas um sorriso com jeito de mato
Que traz o gosto do beijo da flor vermelha
E se foi rio abaixo levada pela correnteza
Perdeu-se das folhas e talos que caíram da corticeira

nas flores brotadas entre as pedras da mangueira
De pétalas leves e macias toda sua essência
A de estancar a sangria e a dor dos olhos da alma
De quem vive a cavalo num resto de tropa pela querência

Numa noite de estrelas no céu que estampa luas andejas
E as saudades de muitos que la foram morar
Tocam o espelho da pampa nas águas do açude
Levaram o jeito rude e um grande vazio no seu lugar

e o vento ensaia poesias no lume das estrelas
é quando o silêncio traz palavras num olhar
assim silentes talvez por agente não velas
a boca vazia num beijo consegue mostrar

E as sangas do rosto que trazem as marcas da vida
encharca o chao das retinas pra depois procurar
fica uma vontade de chorar e o gosto de outro regalo
do braço pra bota pealo e uma sombra pra apeiar
 

 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Do que a vida ensinou

madrugada trazia os ventos
Leve encharcado de sereno
Segundos horas e o tempo
De um mundo tão pequeno
Trazes num novo amanhecer
de chegada e sem partida
De uma tropa encordoada
campeando o cerne da vida
esquecida ja de seus rumos
hoje vive solita velha estrada
polvadeira amansa as horas
e ronda o rumo das aguadas
tanto senhora dos caminhos
que se fez inicio meio e volta
ao andante solito e cantador
tanto o campo cura e já solta
pra findar a sede da saudade
No bravio de mais um potro
segredos que guarda a porteira
pra adormecer no sonhos de outro
Quem sabe ainda se amansa
Num dia desses de primavera
pra ver um tempo novo florir
quem sabe denovo sorrir 
e ver um resto de vida,
na cicatrizes da tapera.
Quando ao longe campeou horizontes
Corredores, aramados e porteiras.
Cada passo que se vai pra frente
Mas se sabe o porquê de voltar
Do que brotou das sementes
O rastro do que se sente
palavras traduzidas num olhar
E a pergunta do livro
grande da verdade
Do que nos traz ate aqui
Revela o segredo que traduz a vida
E a resposta talvez
agente nunca há de descobrir