domingo, 19 de dezembro de 2010

Pra uma carreira no más

Fim de tarde volta da lida
Com o sol caindo o horizonte se espicha
A potrada relincha em sinal de recolhida
O zaino bate firme no chão
O baio não frouxa conhece o enleio
Vem forçando no freio
Querendo o mundo por conta
Pingos buenos o dois querendo a ponta
De rédea frouxa quase que se desmonta
Em disparada
Pata a pata dispuntam espaço
Mas só um vai chegar na frente
E ganhar esta carreirada

Mango e espora por diante
Frouxa a boca do pingo
Atira a terra pra traz
Dos dois a mesma figura
Quando o paisano se apruma
Pra uma carreira no más

Os dois sabem que a ponta e a gloria
Da cancela ate o ipê no meio corredor
Pra ficar guardada na memória
Essa carreira de campo
Na volta da lida
Do baio foi a vitória

o campo e assim


Pelo novo pra manada, viço pro campo
E a primavera chegando ao tranco
Rangindo as basteiras na estrada
Vem o cobrir com o seu manto
O pasto seco queimado pela geada

No sentimento da alma traduzido nas retinas
Mirando o lume das estrelas de ferro
Na emoção que o campo enxerga
Quando do guaxo eu escuto o berro
E as nazarenas cortando macegas 


Porque o campo e assim de alma, vida e silêncio
quando trago seu pensamentos pra mim
um olhar que fica reflete o que penso
e eu sei que nunca vai ter fim
eu me fiz assim querencia, torrão e tempo

O cheiro da terra molhada da chuva em manga
No chão onde a flor brota
Da estiva que corta a sanga
Pra ver os sentimentos se quem faz tropa
E sonhos de quem anda

A linda no portal e o paisano que encilha
Chora os olhos do campo
Quando não ouve o berro da gadaria
Pra seguir maneando seus encantos
Em ronda na madrugada, noite que se faz dia

Que guarda o mistério de um beijo
Alem do que os olhos podem ver
Em cada amanhecer de quem reponta tropa
Num sonho que insiste em morrer, rebrota
Pra qualquer tempo florescer

Que um verso manso ronda as casa
De ser alma, sonho e querência
E os olhos gateados do sol um segredo
Plantou um sonho em águas rasas
Um fogo lento queima brasa aquentado sua crença