segunda-feira, 30 de maio de 2011

Existência

Romanceiro de um só sonho
E o tempo intenso e sentido
Do semblante guri risonho
da sede verdejante dos olhos
De um olhar ainda esquecido

E ao humilde solo bendito
As ânsias de muitas esperas
Que os luzeiros do infinito
A noite bordam um céu bonito
Pra não viver só de quimeras

E quando se fala em partida
Por certo esperando num lugar chegar
A morte e uma amarga despedida
O fim e partir pra uma nova vida
Ao longe, querência em outro lugar

Frente a crença que se desdobra
E as muitas razões do nosso andejar
Tem caminhos e horizontes de sobra
Que a vida por certo um dia nos cobra
E a de ter muitas verdades pra pagar

E tudo aquilo que nos traz ate aqui
Saberá pra onde sempre nos levar
Assim se explica esse existir
Porque o certo de ter pra onde ir
E um lugar pra enfim chegar

Que o mundo se faz de viver
A alma a de voltar pra o seio da terra
A carne e o escudo da alma a ser
Uma passagem de tempo a renascer
ao findar o lume dos olhos é vida que encerra

segunda-feira, 16 de maio de 2011

No sem fim das estradas

Nas paginas surradas de um velho caderno
escritas, pergaminhos do diario de um andante
e o tempo por ser tempo consumindo o cerno
de quem sabe que o infinito e muy distante

Quem sabe encontre no olhar dos meus caminhos
tudo aquilo que a vida guarda e ainda gosta
se no ceu o sol vive tão sozinho
a lua tem as estrelas e a noite ela se mostra

Eu que eu vivo a cruzar com a saudade
da poesia que brota da luz dos olhos teus
quem sabe consiga me encontrar nas verdades
na mansidão que rondam os sonhos meus

Eu que vivo a buscar pelas estradas
tudo aquilo que da vida se perdeu
deixando rastros e atalhos nas canhadas
e vejo que o tempo não me esqueceu

pra o andejo basta o campo por morada
um pouco de mim deixo em cada lugar
bordando a terra de noites enluaradas
ver a flor na madrugada no sereno se banhar

Eu vi o sorriso tão lindo da moça na janela
colhi geadas dos invernos aquerenciadas ao bichara
e a tristeza contida nas trancas da cancela
nas primaveras novo pasto e tantas flores a brotar

De um sol veraneiro e alma de andante
mirar o ceu noiteiro os rios e as invernadas
pedras, flores e as chuvas andejantes
e o impeçar distante do sem fim dessas estradas