terça-feira, 22 de março de 2011

Flor de pedra

Manhazita primavera o sol descambava acanhado
Se banhava na poça d água encharcada da chuva
E as lagrimas que escorrem seiva empedrada
Trazia o amargo da vida e o doce sabor da uva

Em pétalas um sorriso com jeito de mato
Que traz o gosto do beijo da flor vermelha
E se foi rio abaixo levada pela correnteza
Perdeu-se das folhas e talos que caíram da corticeira

nas flores brotadas entre as pedras da mangueira
De pétalas leves e macias toda sua essência
A de estancar a sangria e a dor dos olhos da alma
De quem vive a cavalo num resto de tropa pela querência

Numa noite de estrelas no céu que estampa luas andejas
E as saudades de muitos que la foram morar
Tocam o espelho da pampa nas águas do açude
Levaram o jeito rude e um grande vazio no seu lugar

e o vento ensaia poesias no lume das estrelas
é quando o silêncio traz palavras num olhar
assim silentes talvez por agente não velas
a boca vazia num beijo consegue mostrar

E as sangas do rosto que trazem as marcas da vida
encharca o chao das retinas pra depois procurar
fica uma vontade de chorar e o gosto de outro regalo
do braço pra bota pealo e uma sombra pra apeiar
 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário