Vai as mãos macias do tempo acariciando a vida, brincando com as horas.
E as velhas paredes ainda estampam sonhos de quem já partiu
Coplas sonidos do vento nessas casas velhas onde a saudade mora
deixando apenas um retrato emoldurando um quarto escuro e vazio
Chegadas, partidas tantas despidas nos corredores.
Nas mãos marcas das flores, espinhos que ficaram salientes
Pois quem na vida plantou sonhos por certo colheu amores
Deixou frutos na terra que assim erdam seus descendentes
E o potrilho lindo mouro, que nasceu na primavera.
Por sina na mão do domador vai ter que se amansar
Tantas luas passadas invernos e uma longa espera
Pra o domero na mesma sina de quem nasceu pra domar
Querência sonho, saudade num mangueirão de pedra moura.
Perdido no tempo ficou um resto de tropa, um surrado chiripa.
Da velha tosquia feita a martelo na mãos da tesoura
E só não teve amor àquele que na vida não soube amar
Porque eu sei a vida e cheia de manhas e segredos
E ninguém me contou eu fui buscar, eu vi a terra chorar
Na cicatrizes deixadas do tempo descobri seus medos
E uma grande ferida que talvez nunca há de curar
São tantas saudades muitas chegadas e partidas
De tanto buscar guarida ficou um canto ao vento
Infindando poesias escrevendo a historia da vida
na mesma pagina repetida deixando marcas no tempo
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