domingo, 19 de dezembro de 2010

o campo e assim


Pelo novo pra manada, viço pro campo
E a primavera chegando ao tranco
Rangindo as basteiras na estrada
Vem o cobrir com o seu manto
O pasto seco queimado pela geada

No sentimento da alma traduzido nas retinas
Mirando o lume das estrelas de ferro
Na emoção que o campo enxerga
Quando do guaxo eu escuto o berro
E as nazarenas cortando macegas 


Porque o campo e assim de alma, vida e silêncio
quando trago seu pensamentos pra mim
um olhar que fica reflete o que penso
e eu sei que nunca vai ter fim
eu me fiz assim querencia, torrão e tempo

O cheiro da terra molhada da chuva em manga
No chão onde a flor brota
Da estiva que corta a sanga
Pra ver os sentimentos se quem faz tropa
E sonhos de quem anda

A linda no portal e o paisano que encilha
Chora os olhos do campo
Quando não ouve o berro da gadaria
Pra seguir maneando seus encantos
Em ronda na madrugada, noite que se faz dia

Que guarda o mistério de um beijo
Alem do que os olhos podem ver
Em cada amanhecer de quem reponta tropa
Num sonho que insiste em morrer, rebrota
Pra qualquer tempo florescer

Que um verso manso ronda as casa
De ser alma, sonho e querência
E os olhos gateados do sol um segredo
Plantou um sonho em águas rasas
Um fogo lento queima brasa aquentado sua crença

Um comentário:

  1. Fico até sem palavras diante destes versos que tu escreve...parabéns, tu tens o dom e o transforma em poesia!

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